Estou a morrer de saudades tuas Mariana.
É duro muito duro estar (aqui) sem ti.
Beijo
Pensar na distância deixa-me assim:
Desinspirado.
Assoberbado pela palavra ” foda-se” e tudo o que ela quer dizer
Rodrigo sentia-se cada vez mais eufórico e isso enervava-o.
Tinha trocado a gravata por dois ou três comprimidos por dia e
o dinheiro contava-se agora com a língua e os dedos no tempo que sobrava.
Sim, a palavra é “foda-se” porque não há outra.
Porque não há nada.
Sim, a palavra é essa.
Perde a fala a falha é minha.
Hoje não t’ trago mais nada.
Se querias ser rainha
Não podias ser a espada
Descarada e masoquista
Tens o arco e duas setas
Tu assumes a conquista
Com cuidado e já não pecas!
Perde o passo por enquanto
Em lábios pintados sem dono
Ontem querias ser a rainha
Hoje não quero ser o trono
Cai a noite e o sol perdura
Numa praia madrugada
Duas setas destemidas
E uma alma trespassada
[Perde o passo por enquanto
Em lábios pintados sem dono
Ontem querias ser a rainha
Hoje não quero ser o trono]
E tudo, tudo mais..
Não precisava desse salto (tão) alto para chegar aqui.
Tinha elevador.
Entra no carro e arranca
Virgem por pouco à deriva
Sem pensar, mãos de santa
Na boca dedos e saliva
Vida curta, cede o vento
Espada nua forte a lei
Vai pesado- desalento
Cai-coroa , a bala é rei!
As mãos que me tens ao pescoço
Os olhos que temos em mira
Já não valemos o esforço
Da mão que nos dá e nos tira.
Finge tudo, corre pura
Por dias passados-sem-nada
E se a nossa distância é a lua
Dá-me a tua mão beijada
(…)
As mãos que me tens ao pescoço
Os olhos que temos em mira
Já não valemos o esforço
Da mão que nos dá e nos tira
Leva-me para a outra cidade.
Leva-me para a outra cidade…
Espalhaste-me por todo o lado
Segurando o copo de vinho na outra mão.
Sinceramente não me preocupo, a empregada vem hoje.
Só te peço que antes de saíres de casa,
me abraces e me sussurres a tua hora de chegada.
Depois sai, eu fico à espera.
Se não fosse uma trombose,
era outro contragimento qualquer.
Um engarrafamento ou assim.
Não era apenas uma prosa:
tinha prata nos bolsos para o café e
para tudo o que quisesse comprar
Saía à rua pintada com as cores sujas à pressa
De saia fina, justa ,cinzenta.
E o cabelo era solto porque lhe ficava melhor.
Um poema que não o meu
Também não se deixava ficar em casa
Requintado, não se esquecia do chapéu
E as medalhas de guerra ao peito
Não o deixavam esquecer noites passadas.
Lisboa mantinha-se perfeita.
Durante os anos que contei e não foram poucos
Cruzaram-se vezes e vezes sem conta, sempre com a pressa
De quem quer chegar mas ainda não sabe onde: destemidos!
Mas nunca deixaram de trocar olhares
aqueles que ninguém deixa de trocar.
Sem nunca dizer uma palavra
Porque já todas estavam escritas.
São três da tarde quando podiam ser muitas mais
Tu continuas salgada como da primeira vez
E eu não me canso de te ver nua ainda sem mim
Talvez devesse?
Atiro-te contra a parede que sabes descer esguia
e tiras bruta o baton que tens nos lábios, vermelho.
Contas-me um segredo de língua de fora entre tremores
e ajes como se o inferno te fosse estranho, louca.
Pedes.Posso.Paras.
E depois recomeças tudo outra vez.
Devassa!
A raiva que trazes no corpo é quente
Marca a estrada que sigo.
Não me deixa esquecer-te.