Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
Subo para o quarto

Estou a morrer de saudades tuas Mariana.

É duro muito duro estar (aqui) sem ti.

 

Beijo



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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
Desabafo literário

Pensar na distância deixa-me assim:

Desinspirado.



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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011
Caminhos cruzados

Assoberbado pela palavra ” foda-se” e tudo o que ela quer dizer

Rodrigo sentia-se cada vez mais eufórico e isso enervava-o.

Tinha trocado a gravata por dois ou três comprimidos por dia e

o dinheiro contava-se agora com a língua e os dedos no tempo que sobrava.

 

Sim, a palavra é “foda-se” porque não há outra.

Porque não há nada.

 

Sim, a palavra é essa.



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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011
Rainha em segredo

Perde a fala a falha é minha.

Hoje não t’ trago mais nada.

Se querias ser rainha

Não podias ser a espada

 

Descarada e masoquista

Tens o arco e duas setas

Tu assumes a conquista

Com cuidado e já não pecas!

 

Perde o passo por enquanto

Em lábios pintados sem dono

Ontem querias ser a rainha

Hoje não quero ser o trono

 

Cai a noite e o sol perdura

Numa praia madrugada

Duas setas destemidas

E uma alma trespassada

 

[Perde o passo por enquanto

Em lábios pintados sem dono

Ontem querias ser a rainha

Hoje não quero ser o trono]

 

E tudo, tudo mais..



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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011
Último andar

Não precisava desse salto (tão) alto para chegar aqui.

Tinha elevador.



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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011
A outra cidade

Entra no carro e arranca

Virgem por pouco à deriva

Sem pensar, mãos de santa

Na boca dedos e saliva

 

Vida curta, cede o vento

Espada nua forte a lei

Vai pesado- desalento

Cai-coroa , a bala é rei!

 

As mãos que me tens ao pescoço

Os olhos que temos em mira

Já não valemos o esforço

Da mão que nos dá e nos tira.

 

Finge tudo, corre pura

Por dias passados-sem-nada

E se a nossa distância é a lua

Dá-me a tua mão beijada

 

(…)

 

As mãos que me tens ao pescoço

Os olhos que temos em mira

Já não valemos o esforço

Da mão que nos dá e nos tira

 

Leva-me para a outra cidade.

Leva-me para a outra cidade…



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Terça-feira, 8 de Novembro de 2011
Lastro

Espalhaste-me por todo o lado

Segurando o copo de vinho na outra mão.

Sinceramente não me preocupo, a empregada vem hoje.

 

Só te peço que antes de saíres de casa,

me abraces e me sussurres a tua hora de chegada.

 

Depois sai, eu fico à espera.

 

 

 



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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011
Pathos

Se não fosse uma trombose,

era outro contragimento qualquer.

 

Um engarrafamento ou assim.



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Terça-feira, 25 de Outubro de 2011
A dança dos amores surdos

Não era apenas uma prosa:

tinha prata nos bolsos para o café e

para tudo o que quisesse comprar

Saía à rua pintada com as cores sujas à pressa

De saia fina, justa ,cinzenta.

E o cabelo era solto porque lhe ficava melhor.

 

Um poema que não o meu

Também não se deixava ficar em casa

Requintado, não se esquecia do chapéu

E as medalhas de guerra ao peito

Não o deixavam esquecer noites passadas.

 

Lisboa mantinha-se perfeita.

 

Durante os anos que contei e não foram poucos

Cruzaram-se vezes e vezes sem conta, sempre com a pressa

De quem quer chegar mas ainda não sabe onde: destemidos!

 

Mas nunca deixaram de trocar olhares

aqueles que ninguém deixa de trocar.

Sem nunca dizer uma palavra

 

Porque já todas estavam escritas.



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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
Ardes-me

São três da tarde quando podiam ser muitas mais

Tu continuas salgada como da primeira vez

E eu não me canso de te ver nua ainda sem mim

Talvez devesse?

 

Atiro-te contra a parede que sabes descer esguia

e tiras bruta o baton que tens nos lábios, vermelho.

Contas-me um segredo de língua de fora entre tremores

e ajes como se o inferno te fosse estranho, louca.

 

Pedes.Posso.Paras.

E depois recomeças tudo outra vez.

Devassa!

A raiva que trazes no corpo é quente

Marca a estrada que sigo.

Não me deixa esquecer-te.

 

 

 

 

 

 



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